Por que as zebras não têm úlceras?

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Escrevo após longo período ausente – período onde me mudei de São Paulo/ SP para Joinville/ SC, encerrando minhas atividades profissionais na selva de pedras em junho/2017 e apenas agora as retomando nesta agradável cidade catarinense.

Agradável, mas nem por isto liberta do estresse. Retomo o blog de onde parei.

“Por que as zebras não têm úlceras?” é o título de um livro de autoria de Robert Sapolsky, e o que parece uma brincadeira é um sério estudo de um neurocientista. Somos, assim como as zebras, programados para a reação de estresse, para ficarmos alertas em situações que saem da rotina – a diferença é que as zebras se preocupam apenas com o tempo presente, conseguindo retomar ao estado neutro (sereno) após o estímulo ser retirado.

Nós humanos, não. Ficamos em estado de alerta durante, antes e depois – antecipamos mentalmente os eventos (perigos ou mesmo situações positivas, mas novas, desconhecidas) e muitas vezes nos mantemos alterados mesmo após a resolução dos mesmos (rememorando, trabalhando com hipóteses do que já se foi).

Precisamos aprender com as zebras a manejar o estresse. A viver no tempo presente. E não falo isto tão somente pelo que é visível (seja a alteração de humor, a alteração da resposta aos outros, a taquicardia, ou a respiração ofegante), falo isto especialmente pelo invisível: a resposta ao estresse aumenta os hormônios do estresse, em especial o cortisol, o que de forma crônica causa alteração da pressão arterial e dos níveis de glicemia, e com isto desgaste nos mais diversos órgãos, aumenta as chances de se desenvolver quadros depressivos/ansiosos, e pode até mesmo predispor ao surgimento de câncer.

Sim, a longo prazo o estresse crônico adoece de forma grave, muito além de gastrites leves. E a hora de aprender a manejar melhor os estresse é agora, no tempo presente.

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Sobre a Autora

Dra. Lygia Merini

Médica Psiquiatra pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), especialista em Psiquiatria e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Atualmente atua apenas em seu consultório particular. Anteriormente atuou como preceptora no Ambulatório de Dependência Química da Unidade de Álcool e Drogas (UNIAD) e também como preceptora no Ambulatório de Saúde Mental da Mulher, ambos vinculados à Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Além disto, é especialista em dependência química pela UNIFESP e concluiu curso em Pesquisa Clínica (Principles and Practice of Clinical Research) pela Universidade de Harvard (Harvard Medical School – EUA).

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