Como ocorre a escolha da medicação?

0

É normal que ao se agendar uma consulta com um psiquiatra exista a preocupação sobre o uso de medicação: “Será que vai me fazer mal? Será que vai viciar? Será que engorda?”; e por isto entendo ser importante explicar um pouco sobre como tomo esta decisão.

Antes de mais nada, preciso deixar claro que vir a uma consulta não significa ganhar uma receita de medicação! A consulta é uma avaliação detalhada onde entendo qual o sofrimento daquele indivíduo e como posso ajudá-lo – uma das ferramentas existentes é o medicamento.

A intenção de medicar um paciente adoecido é corrigir circuitos cerebrais que estão defeituosos – este pensamento é muito mais atual que o pensamento anterior de colocar os diagnósticos em caixas e então escolher o remédio que se encaixa naquele rótulo.

Avalio então se houve uso anterior de medicamentos e como isto ocorreu (caso haja adoecimento anterior), história familiar, sintomas atuais, perfil de efeitos colaterais que possa ser favorável (quero que o paciente consiga dormir melhor ou preciso reduzir a sonolência durante o dia? ele precisa se alimentar melhor ou não pode engordar?), e equilibro com a intensidade do quadro.

Existe ainda uma outra ferramenta, que costumo utilizar caso não haja melhora após algumas tentativas, ou existam efeitos colaterais intoleráveis – o teste genético de resposta a medicamentos.

Por este caminho, consigo conduzir o tratamento para que ele seja agradável e traga de volta a qualidade de vida ao meu paciente!

Compartilhar

Sobre a Autora

Dra. Lygia Merini

Médica Psiquiatra pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), especialista em Psiquiatria e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Atualmente atua apenas em seu consultório particular. Anteriormente atuou como preceptora no Ambulatório de Dependência Química da Unidade de Álcool e Drogas (UNIAD) e também como preceptora no Ambulatório de Saúde Mental da Mulher, ambos vinculados à Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Além disto, é especialista em dependência química pela UNIFESP e concluiu curso em Pesquisa Clínica (Principles and Practice of Clinical Research) pela Universidade de Harvard (Harvard Medical School – EUA).

Deixe um comentário